quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Onda de Violência no Rio de Janeiro

    Não é inédito no Brasil o que, hoje, acontece na cidade do Rio de Janeiro. Recentemente, em maio de 2006, São Paulo sofreu algo parecido com ataques a policiais e rebeliões em presídios, promovidos pela organização criminosa "Primeiro Comando da Capital"(PCC). À época os ataques deram-se em represália, ou melhor, reação à transferência de líderes da quadrilha para um presídio de segurança máxima.
    Tanto em 2006, nos episódios ocorridos em São Paulo, quanto agora em 2010, na onda de violência carioca, ouço dizer em "vácuo de poder". Ou seja, onde o Estado não consegue chegar com seu aparato social, o tráfico  estabelece um poder paralelo. De fato, nas comunidades pobres do Rio, os traficantes são vistos como autoridades. Instituem milícias para a defesa de seu território. Recrutam novos milicianos entres os jovens marginalizados pela sociedade, sem oportunidades e sem perspectivas.
    Porém, tal constatação não me faz concordar que existam "vácuos de poder". Existe conivência com o crime, omissão dos poderes constituídos. Não há organizações criminosas grandes sem vínculos com o Estado. É preciso desmascarar, revelar, quem são os representantes destas organizações nas polícias, nos parlamentos, nos governos e até mesmo no Judiciário. É preciso que o Brasil ouse como a Itália ousou combater a máfia, prendendo políticos, juízes policiais e quem mais fosse preciso.
    Vácuo de poder não existe. Existem, sim, são poderosos corruptos. Uma engrenagem movida a dinheiro. Dinheiro que o traficante ganha e paga para manter seu domínio. Cazuza com muita sabedoria, nos anos oitenta, escreveu em uma canção: "Brasil, mostra tua cara. Quero ver quem paga pra gente ficar assim" ; e eu ainda diria, quero ver quem paga e quero ver quem recebe pra gente ficar assim.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Velhos e Jovens

Chamo atenção para a bela composição de Arnaldo Antunes e Péricles Cavalcante.

Velhos e Jovens
Composição: Arnaldo Antunes / Péricles Cavalcanti
Antes de mim vieram os velhos
Os jovens vieram depois de mim
E estamos todos aqui
No meio do caminho dessa vida
Vinda antes de nós
E estamos todos a sós
No meio do caminho dessa vida
E estamos todos no meio
Quem chegou e quem faz tempo que veio
Ninguém no início ou no fim
Antes de mim
Vieram os velhos
Os jovens vieram depois de mim
E estamos todos aí


Sinto-me assim como a música:
Um ser fronteiriço entre o novo e o velho;
Entre o Ser e o Nada;
Entre a faca e o queijo;
o tapa e o beijo;
Entre a mordida da maçã e o paraíso;
entre o sério e o sem juízo.
Enfim, sou o que sou
e não me explico.
Para ninguém, para ninguém,
meu bem, meu bem...


Acho que fiz até poesia para explicar meu sentimento em relação a música. Metaliguagem pura.

Serra: "o ressentido"

Já tornou tradição Serra "alfinetar" alguém em seus discursos de derrota. 
Em 2002, o candidato tucano soltou o verbo contra seu padrinho Fernando Henrique Cardoso, agradecendo-o pela absoluta isenção durante o pleito eleitoral. FHC o apoiou. Só não foi um cabo eleitoral entusiasmado como Lula foi em relação a Dilma. 

Já em 2010 - um mundo novo, sem novidades- Serra dispara contra Aécio, magoado com o mineiro que no primeiro turno não fez uma menção a ele e, ainda, elaborou dossiês em uma guerra de índios pelo cargo de cacique. Serra imitou o diabo derrotado em filmes de terror, bradou em alto e bom som: "Eu voltarei".

As chances de Serra novamente se candidatar a presidente pelo PSDB são mínimas. Em 2014 ele terá 72 anos, Aécio, seu oponente, 54. Serra ficará sem mandato, pode ser que em 2012 concorra à prefeitura de São Paulo. Aécio tem mandato de senador pelo estado de Minas Gerais, o que garante projeção nacional.

Aécio é um político vigoroso e em ascensão. Dono de uma oratória política tradicional, carrega o peso do passado político do avô e uma predileção do segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Sem entrar no mérito de suas façanhas enquanto governador, Aécio tem fortes traços populistas e carisma incontestável. É certo que é um populista liberal, com um discurso que implementou em Minas um novo modelo de gestão. Modelo que concentra riquezas e onera demasiado a produção. 

Serra é um político sem carisma, "tecnicista". Sua linguagem não consegue atingir a grande massa. Suas decisões de campanha, tanto em 2002 quanto em 2010, redundaram em grandes trapalhadas. Seu futuro, com certeza, é o ostracismo e aquele ressentimento grande: "o operário conseguiu, o tecnocrata não.