quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Serra: "o ressentido"

Já tornou tradição Serra "alfinetar" alguém em seus discursos de derrota. 
Em 2002, o candidato tucano soltou o verbo contra seu padrinho Fernando Henrique Cardoso, agradecendo-o pela absoluta isenção durante o pleito eleitoral. FHC o apoiou. Só não foi um cabo eleitoral entusiasmado como Lula foi em relação a Dilma. 

Já em 2010 - um mundo novo, sem novidades- Serra dispara contra Aécio, magoado com o mineiro que no primeiro turno não fez uma menção a ele e, ainda, elaborou dossiês em uma guerra de índios pelo cargo de cacique. Serra imitou o diabo derrotado em filmes de terror, bradou em alto e bom som: "Eu voltarei".

As chances de Serra novamente se candidatar a presidente pelo PSDB são mínimas. Em 2014 ele terá 72 anos, Aécio, seu oponente, 54. Serra ficará sem mandato, pode ser que em 2012 concorra à prefeitura de São Paulo. Aécio tem mandato de senador pelo estado de Minas Gerais, o que garante projeção nacional.

Aécio é um político vigoroso e em ascensão. Dono de uma oratória política tradicional, carrega o peso do passado político do avô e uma predileção do segundo maior colégio eleitoral do Brasil. Sem entrar no mérito de suas façanhas enquanto governador, Aécio tem fortes traços populistas e carisma incontestável. É certo que é um populista liberal, com um discurso que implementou em Minas um novo modelo de gestão. Modelo que concentra riquezas e onera demasiado a produção. 

Serra é um político sem carisma, "tecnicista". Sua linguagem não consegue atingir a grande massa. Suas decisões de campanha, tanto em 2002 quanto em 2010, redundaram em grandes trapalhadas. Seu futuro, com certeza, é o ostracismo e aquele ressentimento grande: "o operário conseguiu, o tecnocrata não. 


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