quarta-feira, 21 de julho de 2010

Entrevista para estudantes!

Resolvi publicar aqui uma entrevista que concedi a estudantes, sobre as situação das drogas em Tupaciguara, quando presidia o Conselho Tutelar em 2007. Resta só comparar. Será que hoje continua assim?

Entrevistado: José de Rezende Costa Neto

Presidente Do Conselho Tutelar de Tupaciguara

Quais os principais problemas causados pelas drogas em Tupaciguara?

Resp: Sem dúvida, o maior problema que a Droga acarreta em nossa sociedade é o aumento da violência. Isto porque, a droga não só dana a saúde do usuário, como também, deturpa o caráter de seu dependente.

Quais as ações existentes em Tupaciguara para combater o uso de drogas?

Resp: As ações ainda são poucas, incipientes e desarticuladas.

O combate ao uso de entorpecentes passa primeiro pela repressão ao tráfico de drogas que, ainda, não é inteiramente eficaz graças a pouca capacidade investigativa da polícia e à própria corrupção existente no meio policial.

Entre as iniciativas existentes em Tupaciguara, destacaria os grupos de apoio: “Narcóticos Anônimos” voltado a ajudar o próprio adicto; “NAARANON”, voltado a auxiliar a família de dependentes; e o grupo “Amor Exigente” voltado ao apoio familiar.

Há que se salientar, a ausência do Poder Público Municipal no combate às drogas. Apenas no ano de 2007, foi criado por força de lei o COMAD – Conselho Municipal Anti-Drogas- que, embora existente no papel, não exerce a relevante função que deveria prestar à sociedade de articular e coordenar as ações de combate ao uso de entorpecentes e até mesmo denunciar as omissões do Poder Público. Isto ocorre dado a extrema cooptação das iniciativas da sociedade pela Administração Municipal.

Quais os crimes mais comuns ocasionados pelo uso de droga?

Resp: São vários. Como já disse anteriormente, a droga deturpa o caráter do usuário. Isto que dizer, que sob o efeito dela, ou sob a abstinência dela, o dependente pode matar, roubar, prostituir-se.

Os crimes mais cediços são aqueles que proporcionam a manutenção do vício, ou seja, que financia a compra do entorpecente, como, por exemplo, o furto a residências.

O que tem sido feito em Tupaciguara para ajudar a prevenir o uso de drogas?

Resp: Mais uma vez esbarramos na omissão dos poderes públicos, que deveriam encarar o problema das drogas como uma verdadeira “epidemia social”. Precisamos de campanhas de prevenção às drogas do mesmo alcance e dimensão das campanhas de prevenção à Dengue e à AIDS.

As iniciativas são isoladas. A escola é uma instituição que tem feito este papel de prevenir. As instituições religiosas prestam-se a este a trabalho.

Precisamos de campanhas publicitárias agressivas como aquelas contra o tabagismo, que mostram doentes em fase terminal, vidas arruinadas.

Aqui existem casos de morte causados pelo consumo de entorpecentes?

Resp: Diretamente causado, como as overdoses, desconheço. Mas mortes indiretas, causadas pela violência advinda das drogas, ou pelo uso prolongado das mesmas, pululam casos assim.

A que se deve o aumento de usuários de drogas em Tupaciguara?

Resp: As drogas recrutam novos usuários entre adolescentes e jovens de nossa cidade. São várias as causas.

Entre os mais pobres, as maiores vítimas das drogas, destacaria, mormente, a falta de estímulos positivos, como a inclusão em projetos sociais, esporte, lazer. A exclusão social é o maior fator, aliado a uma falta de estrutura familiar. E, neste grupo, prevalece o uso de “crack”, um subproduto da cocaína que causa dependência em um lapso de tempo muito rápido.

Se permitem-me uma metáfora, o adolescente é um ser que vive em bandos. É a turma do Fulano, a turma do Beltrano... ; cada uma destas reuniões de adolescentes estabelece padrões de comportamento aos membros. Então pela influência de um amigo, e para ser socialmente aceito naquele grupo o adolescente passa a assumir aqueles comportamentos estabelecidos como padrão; infelizmente, em alguns, usar drogas é um hábito estimulado.

Que medidas são adotadas, aqui, para ajudar os adolescentes que usam drogas?

Resp: Esta é a nossa maior dificuldade. É muito difícil encontrar clínicas para tratamento de dependentes menores de idade. A Secretaria Municipal de Saúde não mantém convênio com nenhuma instituição de recuperação de toxicômanos.

As poucas clínicas, que existem, exigem que seja da vontade do usuário o tratamento. O que na minha visão é um erro. Já que a droga é uma doença e a maioria das vezes o enfermo recusa tratamento.

Alguns casos, ainda, conseguimos enviar para clínicas. Outros encaminhamos para grupos de apoio e tratamento pscológico.

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