O Partido Verde sempre foi uma incógnita na política brasileira. Uma agremiação com bandeira de luta, porém sem substrato ideológico. Equivale a dizer que o partido sabe o que quer, mas não tem a receita de como fazer.
Fundado em 1986, o PV inclui em seu programa pontos como o Parlamentarismo, a Democracia Participativa, a Reforma Agrária e a Reforma do Estado Brasileiro. Porém, evita identificação com as teses clássicas da esquerda ou da direita. Incluí conceitos pouco claros como “Economia Verde” e “Ecodesenvolvimento”.
O capitalismo cria necessidades de consumo, isto é fato. Não que um mundo socialista fosse menos “hightec”, menos “digital”, menos inovador que o atual. Mas as premissas de competição de mercado, de manutenção de grandes corporações provocam o lançamento de produtos no mínimo redundantes. Vejamos. Tenho um amigo que possui um nootebook, um computador portátil e móvel. Através dele, ele se conecta a internet, escuta música onde estiver, armazena informações. Este mesmo amigo adquiriu um aparelho celular de terceira geração e, com ele, se conecta a internet, escuta música, armazena informações, com o único diferencial de realizar ligações telefônicas.
Estas novas necessidades de consumo, criadas pelo interesse das grandes corporações sujeitas à intensa competição, impulsionam um crescimento industrial desmedido. Tal crescimento requer insumos das mais diversas origens: animal, vegetal, mineral e devolve ao meio ambiente a poluição através da fumaça das longas chaminés, dos dejetos que correm água abaixo, do lixo que como matéria ocupa espaço. Isto tudo resulta em esgotamento de recursos naturais e em agressão ao meio ambiente.
Somente uma nova ordem mundial pode assegurar uma preocupação ecológica verdadeira. Uma nova ordem solidária. E isto é característica do Socialismo. O Capitalismo, através de uma ordem competitiva, espalhou desigualdades pelo mundo, asseverou o conceito de fronteira e esgotou os recursos naturais deste planeta de forma nunca vista outrora.
Retomemos a pergunta, após necessária digressão: o que quer o PV de Marina Silva? Será que é possível defender o meio ambiente sem lutar por uma nova ordem mundial? A causa é nobre, o método inexiste. Que pese a favor dos verdes a trajetória de Marina Silva, enquanto voz da Amazônia, companheira de Chico Mendes. Mas, é no mínimo especioso, reduzir a discussão do Meio Ambiente a algumas ações isoladas.
Nenhum comentário:
Postar um comentário